Quarenta pacientes que passaram pela UTI do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia – Iris Rezende Machado (HMAP) receberam orientações via telemedicina para a reabilitação em casa após a internação hospitalar.
Esses pacientes foram internados por insuficiência respiratória aguda e foram selecionados para participar do Projeto Rehab-VM Brasil, uma iniciativa colaborativa entre o Ministério da Saúde e os hospitais Einstein e Moinhos de Vento, realizada no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).
O projeto conta com a participação de 20 hospitais no Brasil e tem como meta coletar dados de pelo menos 2.000 pacientes até abril de 2025. A expectativa é que a telemedicina aumente a adesão ao tratamento após a alta hospitalar, reduzindo a necessidade de deslocamentos frequentes e proporcionando acompanhamento contínuo.
A diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Monica Felts, afirma:
““O Ministério da Saúde tem investido em soluções inovadoras para fortalecer o SUS, e a reabilitação remota por telemedicina representa um avanço significativo na recuperação de pacientes críticos.””
Os 40 pacientes do HMAP foram acompanhados desde a UTI, com intervenções realizadas por consultoria remota de profissionais do Hospital Moinhos de Vento. Após a transferência para a enfermaria, o acompanhamento passou a ser feito por profissionais do HMAP com consultoria da equipe do Einstein.
Para o acompanhamento domiciliar, o celular do paciente é avaliado quanto à capacidade de executar a plataforma de atendimento. Se necessário, um celular do projeto é emprestado ao paciente durante sua participação. Em casa, os pacientes recebem atendimento via telemedicina com profissionais do Einstein por até 60 dias, dependendo da evolução do caso.
Esse atendimento inclui reabilitação com fisioterapeuta, fonoaudiólogo e psicólogo, abordando dificuldades respiratórias, atrofias, problemas de deglutição e transtornos relacionados ao estresse pós-traumático. Os pacientes são reavaliados 90 dias após a alta para verificar a eficácia da estratégia de reabilitação remota.
O médico intensivista Maurício Boaventura, coordenador do projeto no HMAP, explica que o Rehab-VM Brasil implementa uma rotina de cuidados para acelerar a recuperação de pacientes críticos do SUS.
““O protocolo começa ainda na UTI, com foco na redução do tempo de ventilação mecânica, prevenção de sequelas e reabilitação precoce.””
O projeto foi desenvolvido em 2022, em um cenário pós-pandemia de Covid-19, quando muitos pacientes internados em UTIs com insuficiência respiratória aguda apresentaram a síndrome pós-cuidados intensivos ou Covid Longa. A paciente D.T., de 25 anos, foi a primeira beneficiada pelo projeto, tendo acesso a sessões com psicólogo, fonoaudiólogo e fisioterapia. Ela relata:
““Sou muito grata a esse projeto, pois minha melhora foi muito rápida. Hoje posso dizer que levo uma vida normal, com qualidade.””


