EUA aceitam consulta da OMC, mas não abrem espaço para negociação

Jackelline Barbosa
Tempo: 2 min.

Diplomatas brasileiros afirmam que a recente resposta dos Estados Unidos à Organização Mundial do Comércio (OMC) não indica uma real disposição para negociações. Na terça-feira (19), os EUA aceitaram o pedido de consultas apresentado pelo Brasil, mas alegaram que parte das reclamações brasileiras envolve temas de segurança nacional, o que estaria fora do alcance da OMC. Essa menção é vista como uma forma de politizar questões técnicas, sem apresentar um argumento econômico sólido para justificar as tarifas impostas.

Além disso, diplomatas brasileiros destacam que o ex-presidente Donald Trump tem distorcido dados sobre a relação comercial com o Brasil, afirmando que os EUA são deficitários no comércio bilateral. No entanto, segundo cálculos do governo brasileiro, nos últimos 15 anos, o saldo da balança comercial foi positivo para os Estados Unidos em mais de US$ 400 bilhões. A solicitação de consultas formaliza uma disputa na OMC, onde as partes têm até 60 dias para tentar um acordo; caso contrário, o Brasil poderá solicitar a formação de um painel de julgamento.

Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha defendido o acionamento da OMC desde o início, diplomatas reconhecem que essa medida tem mais caráter simbólico do que prático. A avaliação é de que a organização não teria força suficiente para obrigar os Estados Unidos a suspender as tarifas, mesmo que uma decisão favorável ao Brasil seja alcançada. Assim, a situação atual levanta questões sobre a eficácia da OMC em lidar com disputas comerciais complexas envolvendo potências globais.

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