Em Campinas, 12% dos alunos do Ensino Médio estão com idade acima da esperada para suas séries, segundo dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica de 2024. Essa porcentagem supera a média estadual de cerca de 9,5%, totalizando 5.840 estudantes com atraso escolar de dois anos ou mais, um fenômeno conhecido como ‘distorção idade-série’. A Secretaria Estadual de Educação informou que está implementando ações para mitigar essa distorção e fortalecer a aprendizagem, incluindo reforços em português e matemática, além de programas de estágio e intercâmbio.
Ivan Gontijo, gerente de Políticas Públicas da organização Todos pela Educação, destaca que muitas escolas carecem de programas adequados de reforço e recuperação, resultando em lacunas na aprendizagem e altas taxas de reprovação. Ele também menciona que fatores como abandono escolar e evasão contribuem para o atraso, especialmente quando a escola não se alinha aos projetos de vida dos estudantes. Jovens como Geovany Ferreira e Flávio Siqueira exemplificam essa realidade ao relatar suas dificuldades e esforços para retomar os estudos.
Para enfrentar o problema do atraso escolar, Gontijo enfatiza a necessidade de políticas públicas que tornem as escolas mais atrativas e melhorem sua infraestrutura. Ele ressalta que é crucial não apenas aprimorar o currículo, mas também oferecer incentivos que motivem os alunos a permanecer na escola. A situação em Campinas serve como um alerta sobre os desafios enfrentados pela educação no Brasil e a urgência em implementar soluções eficazes.

