Entidades do setor de telecomunicações e tecnologia da informação na Argentina manifestaram forte oposição à decisão do Ente Nacional de Comunicações (Enacom) de destinar a faixa de 2,3–2,4 GHz ao desenvolvimento de redes privativas. A Federação de Câmaras de Provedores de Internet na América Latina e no Caribe (LAC-ISP) enviou uma carta ao regulador, afirmando que essa medida prejudica provedores de conectividade e exclui empresas menores do acesso ao espectro. A GSMA, que representa operadoras móveis globalmente, também criticou a decisão, ressaltando que reservar espectro para usos privados pode comprometer a transformação digital e a capacidade das redes públicas.
A LAC-ISP destacou que mais de 1.500 pequenas e médias empresas (PMEs) e cooperativas de telecomunicações foram historicamente marginalizadas em relação ao acesso ao espectro radioelétrico. A resolução do Enacom permite que empresas privadas de setores como portos e mineração acessem diretamente frequências para implantar infraestrutura móvel, o que pode afetar a concorrência no setor. A GSMA sugere que a disponibilização de 100 MHz adicionais para redes públicas poderia aumentar as velocidades de download em até 25%, evidenciando a importância do uso público do espectro.
Diante das críticas, a LAC-ISP solicitou ao Enacom que revise e suspenda a resolução até que um debate público seja realizado, envolvendo todos os atores do ecossistema de tecnologias da informação e comunicação (TIC). A situação levanta preocupações sobre o futuro da conectividade na Argentina e o papel das pequenas empresas no mercado, além de destacar a necessidade de um diálogo mais inclusivo nas decisões regulatórias.


