O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) intimou pela segunda vez Regina Carnovale Nunes, primeira-dama da capital, para prestar depoimento em um inquérito que investiga o prefeito Ricardo Nunes (MDB) por possível improbidade administrativa relacionada ao aluguel de um imóvel. A promotora Karyna Mori determinou a oitiva de Carnovale, que assinou o contrato de locação de um apartamento da Imóveis Ravello, onde o casal residiu por quatro meses em 2022. A empresa é de Fernando Marsiarelli, que recebeu R$ 624 milhões em contratos emergenciais durante a gestão Nunes entre 2021 e 2024.
Regina Carnovale foi intimada inicialmente em agosto, mas não compareceu. Agora, a promotora registrou que, em caso de nova ausência, poderá requisitar condução coercitiva com apoio da Polícia Militar. O depoimento está agendado para 2 de outubro. A defesa do prefeito argumenta que os pagamentos do aluguel foram feitos para abater créditos existentes com a empresa intermediária, enquanto os advogados da primeira-dama classificaram a ameaça de condução coercitiva como “indiscutivelmente ilegal” e afirmaram ter apresentado documentos que comprovam a regularidade do contrato.
A investigação busca esclarecer se os vínculos entre empresários beneficiados por contratos milionários com a prefeitura e o prefeito configuram vantagem indevida e enriquecimento ilícito. Em nota, a Imóveis Ravello afirmou que a locação foi feita por uma imobiliária parceira e que Marsiarelli não teve envolvimento nas negociações. Apesar das alegações da defesa, o inquérito continua em andamento, refletindo a complexidade e as implicações éticas da relação entre o poder público e o setor privado em São Paulo.

