O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que levou mais de 25 anos para ser negociado, está prestes a passar por uma avaliação crítica em Bruxelas. Entre os dias 17 e 18 de dezembro, os líderes dos 27 países da UE se reúnem no Conselho Europeu para decidir se autorizam a Comissão Europeia a prosseguir com a assinatura do tratado, marcada para 20 de dezembro, durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu.
A situação é complicada por uma série de objeções políticas, especialmente da França e da Itália, que levantam preocupações sobre o impacto do acordo no setor agrícola local. Manifestantes, incluindo agricultores, têm se mobilizado em Bruxelas, temendo que a entrada de produtos do Mercosul comprometa sua competitividade. Apesar das salvaguardas propostas recentemente pelo Parlamento Europeu, a resistência persiste, alimentada por receios de que o acordo possa fortalecer tendências políticas extremistas na Europa.
A aprovação do tratado depende agora de uma maioria qualificada no Conselho Europeu, onde a posição da Itália será crucial. Se o acordo for aprovado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar ao Brasil para formalizar a assinatura. Contudo, se houver um veto, o futuro do tratado poderá se prolongar indefinidamente, refletindo os desafios das relações comerciais globais.

