Membros do Mercosul, liderados pela Argentina, emitiram um comunicado no último sábado (20) pedindo a restauração da democracia e o respeito aos direitos humanos na Venezuela, durante uma cúpula realizada em Foz do Iguaçu (PR). O Brasil, sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, optou por não assinar o documento, assim como o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, por temer que isso pudesse ser interpretado como apoio a uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela.
A avaliação do Palácio do Planalto é de que a assinatura do comunicado poderia reforçar a narrativa de uma ameaça militar, desconsiderando a complexidade da crise venezuelana. O governo brasileiro tem adotado uma postura cautelosa em relação ao país vizinho, evitando declarações que possam comprometer sua posição diplomática. Lula, em conversas recentes com líderes dos EUA e da Venezuela, expressou a necessidade de buscar uma solução pacífica para a crise, alertando sobre as consequências de uma intervenção militar.
O comunicado, assinado por presidentes de outros países da região, expressa preocupação com a crise humanitária e migratória na Venezuela, além de reafirmar o compromisso com a democracia. A decisão do Brasil de não assinar pode impactar a dinâmica política no Mercosul e nas relações com os EUA, refletindo uma estratégia mais focada na diplomacia do que em ações diretas que possam levar a um conflito aberto na região.

