O Chile, reconhecido como o segundo maior produtor de salmão do mundo, enfrenta um crescente número de denúncias relacionadas à segurança dos trabalhadores e ao uso indiscriminado de antibióticos nas fazendas marinhas. Desde a introdução do salmão norueguês há quatro décadas, a produção chilena aumentou drasticamente, mas a reputação da indústria está em risco devido a questões de segurança e consequências ambientais. Dados de uma ONG revelam que 83 trabalhadores perderam a vida no setor entre 2013 e 2025, o que contrasta com os poucos casos registrados na Noruega.
Além das preocupações com a segurança, o uso de antibióticos nas fazendas chilenas permanece alarmante, com 351 toneladas consumidas em 2024, embora tenha diminuído em relação a anos anteriores. Essa prática prejudica a qualidade da água e pode levar ao surgimento de bactérias resistentes, afetando ecossistemas locais. Comunidades e chefs internacionais têm pressionado por mudanças, destacando a necessidade de alternativas mais sustentáveis na produção de salmão.
O movimento contra o salmão de cativeiro está ganhando força, com chefs renomados se recusando a servir o produto em seus estabelecimentos e incentivando a valorização de peixes locais. Restaurantes no Brasil estão mudando seus cardápios, priorizando espécies regionais em detrimento do salmão importado. Com a crescente conscientização sobre os impactos ambientais e sociais da indústria, as mudanças podem ser inevitáveis, refletindo uma nova era na gastronomia e na produção alimentar.

