Em 2024, a área dedicada ao cultivo de folhas de coca na Bolívia alcançou 34 mil hectares, representando um aumento de 10% em comparação a 2023, conforme reportado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) nesta segunda-feira (15). Este crescimento posiciona a Bolívia como o terceiro maior produtor mundial de cocaína, atrás apenas do Peru e da Colômbia. A legislação local permite até 22 mil hectares para usos tradicionais, mas o excedente observado levanta preocupações sobre o envolvimento com o narcotráfico.
Segundo Mónica Mendoza, representante da UNODC na Bolívia, o excedente de 12 mil hectares é um indicativo preocupante sobre o uso da coca para fins ilícitos. A região do Trópico de Cochabamba, que já é um reduto do movimento cocaleiro, registrou um crescimento significativo, enquanto outras áreas, como Los Yungas, mantiveram sua maior concentração de cultivos, embora com crescimento limitado. O novo ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, atribui esses números à permissividade dos governos anteriores do Movimento Ao Socialismo (MAS).
Com a nova presidência de Rodrigo Paz, que assumiu em 8 de novembro, o governo boliviano promete reverter essa situação. Oviedo declarou que esforços serão feitos para reduzir os cultivos de coca, enquanto a UNODC calculou um potencial de produção de 394 toneladas métricas de cocaína. Em um esforço para conter o problema, o czar antidrogas do governo boliviano, Ernesto Justiniano, indicou um retorno iminente das agências antidrogas dos Estados Unidos para colaborar em uma nova estratégia antinarcóticos.

