A defesa da deputada Carla Zambelli, que está presa na Itália desde julho, defende que a recente decisão da Câmara dos Deputados de não cassar seu mandato deve ser levada em conta pela Justiça italiana. O pedido de extradição feito pelo Brasil está em análise, e a deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal por sua participação em um esquema de invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça.
Durante a votação, a Câmara rejeitou a cassação, com 227 votos contra 170, apesar da recomendação da Comissão de Constituição e Justiça que sugeria a perda do mandato. A decisão de manter Zambelli no cargo gerou um forte debate, especialmente entre os partidos de oposição, que argumentam que a medida contraria a determinação do STF. O advogado da deputada questionou como a Corte de Apelação de Roma poderia ignorar a posição da mais alta autoridade política do Brasil sobre a injustiça sofrida pela parlamentar.
O líder do Partido dos Trabalhadores, Lindbergh Farias, anunciou a intenção de entrar com um mandado de segurança no STF contra a decisão da Câmara. Ele argumenta que a Casa Legislativa não deveria ter realizado a votação e que a perda do mandato deveria ter sido determinada diretamente conforme a decisão do Supremo. Com a situação política e judicial envolvendo Zambelli ainda em desenvolvimento, o desfecho desse caso poderá impactar futuras decisões sobre a relação entre as instituições brasileiras e o sistema judiciário italiano.

