Eleições em Mianmar são criticadas como manobra da junta militar

Bruno de Oliveira
Tempo: 2 min.

As eleições legislativas em Mianmar começaram neste domingo (28), marcando um processo supervisionado pela junta militar, que alega estar promovendo um retorno à democracia após a deposição do governo civil há cinco anos. A votação acontece em um contexto de forte controle militar e em meio a críticas de organismos internacionais, que consideram as eleições uma tentativa de legitimar o regime autoritário. A ex-líder Aung San Suu Kyi, que se tornou um símbolo da luta pela democracia, permanece detida desde o golpe de fevereiro de 2021.

Um jornalista da AFP registrou a abertura de seções de votação em Yangon, próximo à residência de Suu Kyi. Enquanto isso, o Partido União, Solidariedade e Desenvolvimento, alinhado à junta, é esperado como o principal vencedor nas eleições. A situação no país é exacerbada por uma guerra civil em curso, com regiões sob controle rebelde sem acesso às urnas, refletindo um cenário de instabilidade e descontentamento popular.

As reações à votação são pessimistas, com cidadãos expressando a impossibilidade de um processo eleitoral livre sob o domínio militar. A falta de comícios e a descrição de uma população vivendo em condições precárias, como a de uma mulher fugida de ataques militares, revelam o clima de apreensão. O líder da junta, Min Aung Hlaing, defende as eleições como um passo para a reconciliação nacional, mas a realidade mostra um país dividido e em crise.

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