Endividamento em janeiro revela desigualdade racial no Brasil

Eduardo Mendonça
Tempo: 2 min.

No início de janeiro, milhões de brasileiros negros enfrentam uma escalada no endividamento, resultado de uma combinação de baixa renda, crédito caro e desigualdade estrutural. Dados da Serasa apontam que o Brasil encerrou o ano com mais de 72 milhões de pessoas inadimplentes, uma situação que se agrava neste período em que as contas se acumulam. Os brasileiros, especialmente os de baixa renda, veem no crédito uma solução temporária para despesas emergenciais, que se transforma em um ciclo de dívidas permanentes.

A desigualdade racial é um fator preponderante nesse contexto. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as pessoas negras têm rendimentos médios inferiores aos das pessoas brancas e enfrentam maior exposição ao trabalho informal, o que as torna mais vulneráveis a crises financeiras. Com a chegada de contas como IPVA, IPTU e material escolar, muitas famílias se veem forçadas a recorrer a créditos com juros exorbitantes, perpetuando o endividamento ao longo do ano.

As implicações desse cenário são alarmantes, uma vez que mais de 77% das famílias brasileiras estão endividadas, mas a realidade é ainda mais severa para a população negra. A combinação de altos juros e a falta de acesso a renegociações vantajosas transforma o endividamento em um mecanismo de sobrevivência, revelando um sistema econômico que lucra com a urgência e pressão financeiras enfrentadas por essas famílias. Assim, o início do ano não apenas traz à tona uma crise já existente, mas também expõe a necessidade urgente de políticas que enfrentem essas desigualdades.

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