Gustavo Junqueira, especialista em agronegócio, destaca os desafios políticos nas negociações entre Mercosul e União Europeia, com a assinatura do acordo prevista para janeiro de 2026. Ele ressalta que o impasse não é técnico, mas envolve a dinâmica entre dois blocos de grande relevância econômica, onde o Brasil não pode se dar ao luxo de ficar de fora. A questão central é como o Brasil poderá se inserir nessas negociações, considerando suas próprias capacidades e limitações.
Junqueira chama atenção para as regras da União Europeia, que não apenas exporta produtos, mas também normas e exigências que podem se tornar uma armadilha regulatória para o Brasil. Ele adverte que o país pode acabar se tornando um mero tomador de regras, aceitando compromissos que não conseguirá cumprir a longo prazo. O especialista defende que o Brasil deve negociar sob sua própria perspectiva, especialmente em questões ambientais, ao invés de simplesmente adotar padrões europeus.
Concluindo, Junqueira afirma que vale a pena continuar as negociações, mas alerta que o Brasil não deve assinar acordos que não possa efetivamente governar. Ele enfatiza que, para que o acordo seja benéfico, as regras devem ser compatíveis com a capacidade brasileira de implementação e fiscalização, evitando assim que o acesso ao mercado europeu se transforme em um custo para a soberania nacional.

