A assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, inicialmente agendada para este mês, foi adiada pela Itália para janeiro de 2026. O chanceler alemão e a presidente da Comissão Europeia demonstraram otimismo em relação ao acordo, mas a falta de apoio entre os membros da UE, e as preocupações dos agricultores italianos, levaram a essa decisão. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, foi informado sobre o atraso e consultará os parceiros do Mercosul sobre os próximos passos.
O adiamento do acordo, que está em negociação há cerca de 25 anos, ocorre em um contexto de protestos violentos por parte de agricultores na França e na Bélgica, que temem a concorrência de produtos agrícolas do Mercosul. A Itália exige mais tempo para discutir as preocupações internas, especialmente relacionadas ao impacto sobre a agricultura local. O acordo, se assinado, poderá ser o maior da UE em termos de cortes tarifários, mas enfrenta resistência de outros países, como França e Polônia, que se opõem a certas importações.
Com a necessidade de aprovação de pelo menos 15 países da UE e representação de 65% da população, a Itália se torna um ator crucial na balança. O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou insatisfação com o acordo, considerando-o inaceitável na forma atual. O futuro das negociações dependerá de como as preocupações agrícolas serão abordadas, e de como os demais estados membros reagirão ao adiamento, que pode influenciar a dinâmica política na Europa.

