Lula sinaliza adiamento na assinatura do acordo UE-Mercosul

Jackelline Barbosa
Tempo: 2 min.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou, nesta quinta-feira (18), a possibilidade de adiar a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul para janeiro de 2026. A decisão ocorre em meio a protestos de milhares de agricultores em Bruxelas, que expressam suas preocupações sobre os impactos do tratado. O acordo, que está em negociação há 25 anos, visa criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, facilitando a troca de produtos entre o bloco europeu e os países do Mercosul.

Os protestos em Bruxelas, que contaram com a participação de 7.300 agricultores e cerca de 50 tratores, evidenciam a resistência à proposta de acordo. Os manifestantes argumentam que a competição com produtos sul-americanos, que não se submetem às mesmas normas ambientais e sociais, representa uma ameaça à agricultura europeia. Lula também mencionou uma conversa com a primeira-ministra italiana, que pediu um prazo adicional para discutir o tratado com outros líderes europeus, o que pode afetar a dinâmica das negociações.

Com a possibilidade de adiamento, a Comissão Europeia e países como Alemanha, Espanha e os nórdicos, que desejavam a assinatura imediata do acordo, se encontram em uma posição delicada. A França e outros países, como Itália e Polônia, manifestaram sua oposição ao tratado nas condições atuais. O futuro do acordo, que poderia fortalecer as exportações da UE em um cenário de competição acirrada, agora está envolto em incertezas, refletindo a complexidade das relações comerciais entre as duas regiões.

Compartilhe esta notícia