O Ministério da Cultura anunciou a homologação do tombamento definitivo do prédio do antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), localizado no Rio de Janeiro, em um ato publicado no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (29). Inaugurado em 1910 e utilizado para abrigar o Dops entre 1962 e 1975, o local se tornou um símbolo de repressão durante a ditadura militar, onde ocorreram torturas e violências contra presos políticos.
O tombamento foi aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em novembro deste ano. Durante a cerimônia, o presidente do Iphan, Leandro Grass, destacou a importância do ato como uma homenagem às vítimas da repressão, enfatizando a necessidade de preservar a memória histórica para as futuras gerações. O prédio é o primeiro a ser reconhecido como lugar de memória traumática pelo Iphan, com a expectativa de que outros locais também sejam analisados para tombamento.
A homologação do tombamento do Dops implica em um reconhecimento formal da brutalidade do regime militar e do papel do Estado na repressão política. O ato não apenas preserva a estrutura arquitetônica, mas também assegura que as histórias de violência e resistência sejam contadas, evitando que esses capítulos sombrios da história sejam esquecidos. O Iphan planeja avaliar outros imóveis relevantes, como o DOI-CODI e a Casa da Morte, reforçando o compromisso com a memória e a justiça social.

