Na última sexta-feira, o Banco do Povo da China estabeleceu a cotação de referência do yuan em 6,9929 em relação ao dólar norte-americano, o que representa o nível mais forte em quase três anos. Essa medida sugere uma intenção de permitir que a moeda aprecie gradualmente, mantendo um equilíbrio para não prejudicar as exportações. O valor fixado é um marco significativo, já que é a primeira vez que a taxa fica abaixo de 7 yuan por dólar desde maio de 2023.
O fortalecimento do yuan ocorre em um contexto de crescente superávit comercial da China, que ultrapassou US$ 1 trilhão no último ano. Analistas indicam que a administração de Pequim está se mostrando mais confortável com uma moeda mais forte, impulsionada por uma demanda interna e externa por um yuan valorizado. Apesar disso, eles alertam que um fortalecimento rápido permanece improvável, já que as autoridades têm sinalizado moderação nas suas intervenções no mercado cambial.
As recentes decisões do PBoC indicam uma estratégia que busca equilibrar a valorização do yuan com a proteção da competitividade das exportações. Gabriel Wildau, diretor-gerente da Teneo, destaca que a disposição do banco central em permitir uma apreciação da moeda pode ser uma resposta a fatores como a confiança dos investidores e um cenário econômico mais otimista. Assim, o cenário cambial da China se torna um ponto de atenção para as relações comerciais e a economia global.

