O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, admitiu em depoimento à Polícia Federal que a instituição atravessa uma séria crise de liquidez. Ele esclareceu que o modelo de negócios do banco estava inteiramente baseado no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que é responsável por proteger investidores em situações de insolvência. Vorcaro ressaltou que, apesar disso, não via problemas na dependência do FGC, considerando-a uma prática comum no setor financeiro.
Recentemente, o FGC já desembolsou R$ 26 bilhões para credores do Banco Master, e a expectativa é que o total atinja cerca de R$ 45 bilhões, o que representa quase 40% do patrimônio do fundo. As falas de Vorcaro surgem em meio a um inquérito que investiga possíveis irregularidades na operação do banco, que teve sua venda ao Banco de Brasília (BRB) barrada pelo Banco Central antes de ser liquidado extrajudicialmente. O empresário também mencionou uma aversão do FGC em relação ao Banco Master, o que segundo ele, afetou a captação de recursos.
As consequências dessa situação são significativas, uma vez que a liquidação do Banco Master e do Will Bank, do mesmo grupo, coloca pressão sobre o FGC. O fundo, que processa atualmente um grande volume de solicitações de ressarcimento, deve encontrar maneiras de recapitalizar-se, uma vez que o pagamento aos credores do grupo financeiro está em andamento. O impacto na confiança dos investidores e a necessidade de ajustes regulatórios se tornam questões centrais para o futuro do setor bancário no Brasil.

