Centenas de membros das forças armadas dos EUA, juntamente com civis e suas famílias, processaram a British American Tobacco (BAT), alegando que as operações da empresa na Coreia do Norte ajudaram a financiar armas utilizadas em ataques terroristas. A ação judicial, que busca indenização não especificada, destaca o envolvimento da BAT com uma empresa norte-coreana em um joint venture desde 2001, mesmo quando o governo dos EUA alertava sobre o financiamento de terrorismo pelo regime de Pyongyang.
A investigação realizada pelo jornal The Guardian em 2005 revelou que, apesar das sanções e da pressão internacional, a BAT continuou suas operações na Coreia do Norte. Em 2007, a empresa afirmou que encerraria suas atividades no país, mas, segundo o Departamento de Justiça dos EUA, essa operação secreta prosseguiu por meio de uma subsidiária. Essa transação teria movimentado aproximadamente US$ 418 milhões, conforme apontou Matthew Olsen, ex-oficial do Departamento de Justiça, em audiência no Senado em 2023.
As implicações deste caso são vastas, uma vez que expõem uma possível conivência de grandes empresas com regimes considerados hostis. O desdobramento deste processo pode levar a um exame mais profundo das práticas corporativas globais e incentivar uma revisão das regulamentações sobre negócios em países com histórico de terrorismo. O resultado poderá impactar tanto a reputação da BAT quanto a abordagem do setor empresarial em relação a operações em regiões de risco.

