O chefe da mesa de ações do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi, analisou o desempenho do Ibovespa, que registrou um crescimento superior a 30% em 2025, caracterizando-se como um dos ralis mais silenciosos já observados. Esta alta foi majoritariamente sustentada por investidores estrangeiros, devido a uma Selic de 15%, que afastou investidores locais em busca de maior segurança. A elevada volatilidade também contribuiu para a falta de atenção de muitos investidores, que perderam a oportunidade de capitalizar sobre o crescimento do mercado acionário.
O desempenho das ações de empresas ligadas à economia doméstica, como Cogna, Movida e Ecorodovias, foi notável, refletindo a expectativa de um ciclo prolongado de redução de juros. O BTG projeta que a Selic pode se aproximar de 12% até o final de 2026, o que pode potencialmente aumentar o valor das small caps. Apesar das incertezas políticas em torno da eleição presidencial de 2026, a Bolsa ainda é vista como uma opção atrativa para o fluxo de capital estrangeiro, que deve continuar a entrar no Brasil.
O panorama político para o próximo ano representa um fator de volatilidade, com a candidatura do Flávio Bolsonaro já influenciando o mercado. Embora as eleições possam gerar incertezas, o contexto econômico permanece favorável, com uma Bolsa ainda considerada barata e perspectivas de cortes mais acentuados na taxa de juros. Os analistas do BTG acreditam que, se os cortes forem além das expectativas atuais, isso pode liberar um valor significativo para as empresas brasileiras, especialmente na redução dos custos da dívida.

