A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifestou sua posição em relação ao acordo entre Mercosul e União Europeia, afirmando que ele é um “instrumento estratégico” para o agronegócio nacional. Em nota, a entidade apoiou a ratificação do acordo, mas destacou que a liberalização tarifária prevista não garante, por si só, um acesso efetivo ao mercado europeu, devido a exigências regulatórias adicionais que não estão contempladas no documento.
A CNA ressaltou que, embora o acordo preveja uma abertura tarifária ampla e gradual, com 39% dos produtos do agronegócio isentos de tarifas no primeiro ano, desafios significativos persistem. Medidas unilaterais, como o Regulamento Europeu do Desmatamento (EUDR), podem neutralizar as preferências tarifárias negociadas, impactando desproporcionalmente pequenos e médios produtores. A entidade enfatizou a urgência de que o Brasil adote medidas para proteger a integridade econômica das concessões antes da aprovação pelo Congresso Nacional.
Além disso, a CNA defendeu a atualização de regulamentos de salvaguardas globais e a criação de contramedidas para mitigar os efeitos de salvaguardas bilaterais que possam ser acionadas pela União Europeia. Embora o acordo ofereça oportunidades significativas, a efetividade dependerá da capacidade do Brasil em harmonizar requisitos regulatórios e proteger os interesses dos produtores nacionais. A confederação ainda alertou sobre a lentidão histórica do processo de internalização de acordos internacionais no país, o que pode atrasar a plena implementação do acordo com a UE.

