O sociólogo Roberto Schwarz, em seu ensaio ‘As ideias fora do lugar’, publicado na França em 1969 e no Brasil em 1973, critica a assimilação do liberalismo no contexto brasileiro. Apesar das conquistas da Constituição de 1988, que promoveu direitos sociais e a universalização da cidadania, o texto revela lacunas significativas em relação ao federalismo, limitando a autonomia das transformações necessárias no país.
Schwarz argumenta que a Constituição amalgama características do social-democratismo europeu e do liberalismo americano, mas resulta em um sistema institucional complexo, que dificulta a governabilidade. A concentração de poder, antes nas mãos do Executivo, agora se dispersa entre o Legislativo e o Judiciário, criando um cenário em que as decisões políticas se tornam cada vez mais judicializadas. Essa situação gera um impacto negativo na capacidade do cidadão de exercer sua escolha política, levando a um sistema que se apresenta como liberal, mas que na prática limita a participação democrática.
O resultado dessa dinâmica é um Brasil paralisado, onde as instituições não conseguem promover um projeto nacional coeso e atualizado. A interdependência entre os Poderes gera bloqueios institucionais que corroem a eficiência do Estado e dificultam a construção de consensos duradouros. Diante desse cenário, novas reflexões sobre os rumos democráticos se tornam essenciais para enfrentar os desafios do federalismo e garantir a efetividade da cidadania.

