Expansão da soja e uso de glifosato ameaçam povos do Baixo Tapajós

Laura Ferreira
Tempo: 2 min.

A aplicação do glifosato, herbicida predominante no agronegócio brasileiro, está alterando drasticamente a vida no Baixo Tapajós, região do oeste do Pará. Estudos conduzidos por um professor da USP mostram que a pulverização do produto, em áreas de cultivo de soja, tem causado problemas respiratórios e econômicos para comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, forçando essas populações a deixarem seus territórios tradicionais.

A pesquisa, que se baseia em dezoito meses de trabalho etnográfico, introduz o conceito de “expulsão por sufocamento”. O uso intensivo do glifosato não apenas provoca danos à saúde, mas também compromete a capacidade dessas comunidades de se sustentar, resultando em um ambiente de asfixia material e social que as empurra para fora de suas terras. Relatos indicam dificuldades respiratórias e perda de cultivos tradicionais após a aplicação do herbicida.

Além de seus efeitos diretos, o glifosato reforça um imaginário histórico de “vazio” na Amazônia, que sustenta a exploração da floresta. O autor da pesquisa argumenta que essa visão, forjada por décadas de políticas estatais, é atualizada pelo uso do herbicida, que contribui para a desocupação humana necessária à expansão da fronteira agroindustrial. A pesquisa ressalta a urgência de discutir e mitigar os impactos dessas práticas no futuro das comunidades afetadas.

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