A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) expressou sua posição após a recente aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, ocorrida em 9 de janeiro de 2026. Embora a entidade considere a medida um avanço histórico, também ressalta que o acordo está acompanhado de salvaguardas que oferecem um alto grau de protecionismo ao mercado agrícola europeu.
De acordo com a Farsul, a Comissão Europeia estabeleceu restrições que afetam a entrada de produtos do Mercosul, como carne e etanol, com intervenções previstas em casos de desestabilização do mercado. Além disso, novas regras possibilitam investigações em situações de preços inferiores em 8% em comparação aos europeus, o que representa um obstáculo adicional para os exportadores. A federação também critica restrições ambientais que podem impactar negativamente as exportações de produtos como citros e carnes, devido a legislações como a Lei Antidesmatamento da UE.
A Farsul enfatiza que, apesar das preocupações, os benefícios do acordo incluem a isenção de tributos para 93% das linhas tarifárias em até 10 anos e cotas com tarifas reduzidas para produtos específicos. Contudo, a entidade adverte que o acordo ainda não é legalmente vinculativo, dependendo da aprovação do Parlamento Europeu e dos parlamentos nacionais do Mercosul. Até que isso ocorra, a Farsul continuará a monitorar o que classifica como um cenário incerto para os produtores rurais.

