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Leitura: Filme de Jancsó retrata a Hungria com traumas pós-guerra e erotismo
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Cultura

Filme de Jancsó retrata a Hungria com traumas pós-guerra e erotismo

Camila Pires
Última atualização: 26 de janeiro de 2026 08:32
Camila Pires
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Tempo: 2 min.
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O filme ‘Silence and Cry’, dirigido por Miklós Jancsó, se configura como um psicodrama bizarro ambientado após a queda da república soviética húngara de 1919. Lançado em 1968, a obra entrelaça elementos de trauma pós-guerra com nuances eróticas, apresentando uma crítica à brutalidade das potências anti-comunistas. A narrativa se desenrola nas vastas planícies da Hungria, criando um cenário que se estende até o horizonte, onde os personagens atuam como se estivessem em um enorme palco.

Jancsó utiliza uma abordagem cinematográfica distintiva, com movimentos de câmera sinuosos e longas tomadas contínuas, que dão vida ao ambiente desolador e onírico do filme. As entradas e saídas dos personagens são não convencionais, fazendo-os parecer que vêm de longe e desaparecem lentamente no vazio. A obra é marcada por uma atmosfera absurda, reminiscentes dos pesadelos de Kafka, que traz à tona a complexidade do trauma psicológico.

As implicações do filme vão além de uma simples narrativa, refletindo um eco da história política da Hungria e da repressão soviética. A crítica à brutalidade do passado se torna uma reflexão sobre a condição humana, levando o espectador a ponderar sobre os efeitos duradouros do trauma e da repressão. ‘Silence and Cry’ se destaca como uma exploração artística profunda e perturbadora da história e da psique húngara.

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