O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, instou os Estados Unidos a interromperem a pressão sobre a Groenlândia, em uma entrevista veiculada no último sábado. Durante a conversa, Barrot enfatizou que não acredita em uma possível intervenção militar americana para tomar o território, que é autônomo e parte da Dinamarca. Ele argumentou que nada justificaria tal ato e que a Groenlândia deve ser respeitada como um território europeu sob a proteção da Otan.
Barrot ainda alertou que os europeus têm meios poderosos para proteger seus interesses na região, reforçando que a chantagem por parte dos EUA deve chegar ao fim. A declaração ocorre em um contexto de tensões, onde o ex-presidente Donald Trump insinuou que a Rússia e a China poderiam tentar ocupar a Groenlândia se os EUA não agissem. Essa situação gerou uma forte resposta dos líderes do Parlamento da Groenlândia, que afirmaram seu desejo de serem reconhecidos como groenlandeses, sem vínculos com a Dinamarca ou os Estados Unidos.
A Groenlândia, que obtém autonomia desde 1979 após ser uma colônia dinamarquesa até 1953, possui recursos minerais valiosos e se torna cada vez mais estratégica devido ao derretimento do gelo no Ártico. Desde 1951, um acordo de defesa entre os Estados Unidos e a Dinamarca permite a presença militar norte-americana no território, mas requer notificação prévia às autoridades locais. As declarações de Barrot e a resposta dos groenlandeses ressaltam a crescente importância da soberania e autodeterminação na região.

