Governo francês enfrenta moções de censura após acordo UE-Mercosul

Patricia Nascimento
Tempo: 2 min.

Nesta quarta-feira, 14 de janeiro, o governo francês está sob pressão com duas moções de censura apresentadas por partidos de esquerda e extrema direita. As moções surgem em meio à controvérsia sobre o recente acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que muitos agricultores franceses consideram prejudicial a seus interesses. A aprovação de uma das moções poderia levar à derrubada do primeiro-ministro, Sebastién Lecornu, representando uma nova crise política para o governo de Emmanuel Macron.

O acordo, que será assinado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, visa criar a maior zona de livre-comércio do mundo. No entanto, a oposição política na França, incluindo os agricultores, teme as consequências da importação de produtos sul-americanos, como carne e soja, em troca da exportação de produtos europeus. A moção de censura é vista como uma forma de protesto contra o que muitos consideram a ineficácia do governo em proteger os interesses nacionais.

Embora as moções de censura demonstrem a crescente insatisfação com a gestão de Macron, especialistas afirmam que suas chances de sucesso são baixas. O Partido Socialista e os Republicanos, que compõem a oposição, decidiram não apoiar as moções, o que inviabiliza a obtenção da maioria necessária. Assim, apesar da crise atual, o governo francês pode seguir adiante, enquanto o debate sobre o acordo comercial continua na Assembleia Nacional e no Parlamento Europeu.

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