Governo Lula contrata energia a carvão com preço elevado e interligações políticas

Fernanda Scano
Tempo: 2 min.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a contratação de energia do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, situado em Santa Catarina, por um valor 62% superior à média do setor. O contrato, que assegura uma receita anual de R$ 1,89 bilhão à Diamante Energia, foi firmado em 14 de janeiro de 2026 e garantirá a operação da usina por 15 anos, em conformidade com legislação aprovada pelo Congresso em 2022.

A decisão foi criticada em função da relação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, com um dos proprietários da usina, que é sobrinho de um político influente. Estima-se que o preço acordado de R$ 564 por megawatt-hora ultrapassa em muito a média de R$ 347/MWh observada em leilões recentes. Além disso, a contratação foi precedida por consultas públicas, com a empresa realizando diversas reuniões com o ministério desde o início de 2023, o que levanta questões sobre a influência exercida durante o processo.

As implicações desse contrato são significativas, não apenas em termos financeiros, mas também em relação à política energética do Brasil. A usina Jorge Lacerda é a maior termelétrica a carvão não nuclear do país, e sua operação é vista como crucial para a segurança energética. Contudo, a alta remuneração acordada e as circunstâncias políticas em torno do contrato podem gerar desconfiança pública sobre a transparência e a equidade nas decisões governamentais relacionadas ao setor energético.

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