A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) comunicou sua saída da Moratória da Soja, um pacto que proíbe a aquisição de soja proveniente de áreas desmatadas na Amazônia. Este acordo, em vigor há duas décadas, foi assinado por grandes empresas do setor, incluindo Bunge e Cargill, e visa proteger o bioma amazônico contra a exploração predatória. A decisão foi anunciada em 6 de janeiro de 2026 e já gera repercussões negativas no cenário ambiental e econômico do Brasil.
A WWF-Brasil criticou a retirada das empresas do acordo, classificando a ação como um retrocesso inaceitável que enfraquece um dos principais mecanismos de combate ao desmatamento no país. Para a organização, essa mudança não apenas prejudica a integridade das florestas, mas também coloca em risco a própria estabilidade do agronegócio, uma vez que a saúde das florestas é essencial para a manutenção dos regimes climáticos e de chuvas necessários para a agricultura. A moratória, que não foi oficialmente extinta, continua em vigor, mas sua eficácia foi comprometida pela decisão das empresas de se afastar do compromisso.
A Moratória da Soja tem se mostrado um dos acordos mais bem-sucedidos na dissociação da expansão da sojicultura do desmatamento na Amazônia. Dados da Abiove indicam que, desde sua implementação, apenas 2,1% do desmatamento monitorado resultou em plantio de soja. A saída da Abiove pode levar a um aumento significativo no desmatamento, revertendo anos de progresso na proteção ambiental e afetando a imagem do Brasil no cenário internacional.

