Irã força confissões na TV para intimidar opositores, afirmam ativistas

Camila Pires
Tempo: 2 min.

As autoridades do Irã têm imposto confissões forçadas a detidos, transmitindo-as na televisão estatal como parte de uma campanha de repressão. Nos últimos dias, o grupo de direitos humanos Human Rights Activists News Agency (HRANA) registrou pelo menos 240 dessas confissões, que surgiram em meio a protestos que deixaram milhares de mortos. O fenômeno se intensificou após uma onda de detenções que começou em dezembro de 2022, quando manifestações pacíficas evoluíram para um movimento de massa contra o regime.

As confissões, frequentemente obtidas por meio de tortura física e psicológica, incluem acusações absurdas, como agredir forças de segurança e conluio com inimigos do Estado. Organizações como a Anistia Internacional e a relatora especial da ONU para direitos humanos no Irã têm denunciado essas práticas como táticas de propaganda que visam deslegitimar os manifestantes. A diretora do Centro Abdorrahman Boroumand destacou que essas transmissões criam uma narrativa falsa, apresentando os manifestantes como ameaças à segurança nacional.

Com mais de 41 mil detenções registradas e um alto número de mortes confirmadas, a repressão aos protestos continua a crescer. As autoridades iranianas tentam responsabilizar inimigos externos, como os Estados Unidos e Israel, pelas mobilizações populares. Enquanto isso, as confissões forçadas permanecem como uma ferramenta de controle, buscando humilhar dissidentes e reforçar a narrativa oficial do regime sobre a criminalidade entre os opositores.

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