O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, fez a controversa nomeação de dois ex-advogados do regime de Augusto Pinochet para os ministérios da Defesa e dos Direitos Humanos nesta terça-feira (20), em uma cerimônia realizada em Santiago. As nomeações de Fernando Barros e Fernando Rabat, ambos com passagens pela defesa do ditador, geraram críticas de grupos de vítimas da ditadura, que veem isso como uma falta de respeito às atrocidades cometidas no passado. Kast, que assumirá o cargo em 11 de março, tem se posicionado como um líder da extrema direita, expressando publicamente sua admiração por Pinochet e seu regime autoritário.
A escolha de ministros reflete a visão de Kast de um governo que pretende enfrentar o que ele descreve como uma emergência nacional, focando em temas como segurança e desregulamentação econômica. Em sua apresentação, Kast destacou que seu gabinete não foi formado por pressões políticas, mas sim por convicção e compromisso com o Chile. Com a nomeação de figuras polêmicas, o novo governo enfrenta a expectativa de uma oposição forte, especialmente considerando a composição do Congresso, onde a direita não detém controle absoluto.
As implicações dessas nomeações são significativas, uma vez que podem ressoar nas relações do Chile com a comunidade internacional e afetar a percepção pública sobre o novo governo. Críticos temem que a escolha de ministros ligados a um passado de repressão possa exacerbar divisões sociais e políticas no país. O cenário político se desenha como um desafio para Kast, que, apesar de sua maioria no Congresso, terá que navegar em um ambiente de intensa oposição e vigilância da sociedade civil.

