A extrema direita e a esquerda radical na França anunciaram a apresentação de moções de censura contra o governo liderado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu, após a recente aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Esta decisão ocorreu na sexta-feira, 9, em um cenário onde o presidente Emmanuel Macron, que já havia se declarado contra o pacto, não conseguiu impedir sua validação, apesar de seus esforços para bloquear a medida.
O governo francês tem enfrentado instabilidades políticas, com mudanças frequentes no comando e uma oposição unida contra a administração Macron. O primeiro-ministro Lecornu, que já tinha cogitado renunciar em outubro do ano passado, agora se vê novamente em uma situação delicada, com a possibilidade de deposição. A vice-líder do partido de extrema-esquerda, Mathilde Panot, destacou a humilhação da França em Bruxelas, associando a aprovação do acordo a um histórico de falhas da administração atual em representar os interesses nacionais.
A aprovação do acordo com o Mercosul poderá ter implicações significativas para a política interna francesa e para a economia do país. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve assinar formalmente o pacto na próxima segunda-feira, 12, no Paraguai. Essa situação poderá intensificar as tensões políticas e a pressão sobre o governo francês, que terá que lidar com as consequências de um acordo que, segundo críticos, prejudicará os agricultores e o setor industrial local.

