Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, está liderando uma articulação para a manutenção da isenção de impostos sobre a importação de veículos eletrificados, que pode ter um impacto de até R$ 103 bilhões para a cadeia automotiva nacional. A discussão ocorre em um momento crucial, com o término da isenção prevista para o final de janeiro de 2026 e a Anfavea expressando preocupações sobre os efeitos de longo prazo dessa medida sobre a produção local.
O regime em questão permite que veículos híbridos e elétricos sejam importados com imposto zerado, favorecendo a montagem local. Embora a proposta tenha sido inicialmente rejeitada pelo governo, uma solução intermediária foi adotada, gerando tensões entre montadoras tradicionais e a nova concorrente. A atuação de Baldy, que possui um histórico político significativo, levanta questões sobre a influência de interesses corporativos nas decisões governamentais.
Com a Anfavea alertando sobre a possibilidade de uma desindustrialização, o governo brasileiro enfrenta um dilema: manter incentivos fiscais que beneficiam a BYD ou reforçar a produção local na indústria automotiva. A situação é ainda mais complicada por denúncias de condições de trabalho análogas à escravidão nas fábricas da montadora, o que pode impactar negativamente a imagem da empresa e sua relação com o governo.

