Programa reduz incêndios em terras indígenas ao integrar saberes tradicionais

Isabela Moraes
Tempo: 2 min.

Um programa que alia ciência e saberes indígenas reduziu em 35% os focos de calor em terras indígenas no Brasil nos últimos dez anos. A iniciativa, coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), utiliza a queima prescrita para combater incêndios florestais. Essa abordagem demonstrou ser eficaz, conforme estudo publicado na revista Humanities and Social Sciences Communications, que analisou 42 territórios abrangendo 25 milhões de hectares na Amazônia e no Cerrado.

Os resultados do programa, que completou uma década em 2023, revelaram uma redução de 22,7% nos focos de calor em áreas com brigadas, em contraste com um aumento de 12,3% nas áreas sem o programa. Pesquisadores destacam a importância do conhecimento indígena na gestão do fogo e propõem a ampliação da cobertura, que atualmente abrange apenas 23,1% das terras indígenas. A falta de contratos mais longos para brigadistas e os desafios impostos pelas mudanças climáticas também foram levantados como questões críticas para a continuidade da eficácia do programa.

Com um custo anual de apenas 1,02 dólar por hectare, o programa é visto como um modelo viável para outros países tropicais. No entanto, a necessidade de regulamentar e valorizar o trabalho dos brigadistas permanece, já que muitos deles atuam de forma temporária e sem reconhecimento. A abordagem integrada de manejo do fogo, que combina saberes tradicionais e científicos, representa um avanço significativo nas políticas de controle de incêndios no Brasil.

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