A recente deposição de Nicolás Maduro na Venezuela, resultado de uma intervenção militar direta dos Estados Unidos, sinaliza uma mudança crucial na política externa americana. O ex-presidente venezuelano foi preso sob acusações de narcotráfico, levantando questões sobre a legitimidade da ação sem respaldo internacional. O CIO da XP, Arthur Wichmann, sugere que a justificativa do combate ao narcotráfico serve mais como uma narrativa do que um verdadeiro motivo para a intervenção.
Wichmann enfatiza que a normalização de intervenções unilaterais pelos EUA representa um retorno à lógica da realpolitik, similar àquela observada durante a Guerra Fria. Segundo ele, a Venezuela não é o maior fornecedor de drogas para os EUA, o que torna a justificativa ainda mais questionável. O executivo alerta que o impacto desse episódio pode ser limitado, desde que não haja desdobramentos em países vizinhos, como México ou Colômbia, que poderiam gerar instabilidade regional.
Apesar da gravidade da situação, o CIO da XP acredita que os riscos imediatos de uma escalada são relativamente baixos se a ofensiva permanecer restrita à Venezuela. O mercado financeiro, por sua vez, reagiu de maneira seletiva, considerando que a exposição global à Venezuela é limitada. Assim, enquanto alguns setores, como petroleiras americanas e defesa, podem se beneficiar, o cenário geral ainda requer cautela frente às incertezas geopolíticas.

