Uma investigação do Environmental Investigation Agency (EIA) revelou que madeira extraída ilegalmente da Amazônia está sendo utilizada em hotéis de luxo e estruturas de eventos nos Estados Unidos. A pesquisa identificou irregularidades em fazendas e empresas exportadoras no Pará, onde a madeira é obtida de forma irregular, possivelmente envolvendo terras indígenas. O estudo, que será divulgado em breve, traz à tona uma rede de comércio que liga a exploração ilegal à construção de empreendimentos de alto padrão, como os utilizados na Fórmula 1 em Miami.
O EIA constatou que o volume de madeira declarado por fazendas autorizadas é significativamente superior à quantidade legalmente derrubada, sugerindo práticas de “lavagem de madeira”. A investigação também revelou a presença de estradas clandestinas em terras indígenas e a venda de madeira por empresas como a Global Forest Lumber, que forneceu material para resorts na Flórida e eventos de grande escala. A situação é alarmante, pois mostra a conexão entre grandes empresas e a exploração ilegal, levantando questões sobre a responsabilidade e a fiscalização no comércio de madeira.
Diante das descobertas, o Ministério Público do Pará está intensificando suas investigações e recomenda um sistema de rastreabilidade digital em tempo real para o comércio de madeira. O caso evidencia a fragilidade das regulamentações atuais e a necessidade de um controle mais rigoroso sobre a extração de madeira na Amazônia. As implicações são vastas, afetando não apenas a integridade ambiental da região, mas também a reputação de empresas que, mesmo indiretamente, podem estar envolvidas em práticas ilegais.

