As exportações de café solúvel brasileiro enfrentaram um revés significativo em 2025, com uma queda de 10,6% nos embarques, resultando na exportação de 85,082 mil toneladas. Este declínio é atribuído a uma tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, o maior mercado do produto, que causou uma redução de 28,2% nas importações americanas. A situação se agravou no segundo semestre, quando a retração atingiu 40% em comparação ao ano anterior.
Apesar da diminuição nos volumes exportados, a receita cambial do café solúvel brasileiro alcançou um recorde de US$ 1,099 bilhão, um aumento de 14,4% em relação ao ano anterior. Esse crescimento nos ganhos é atribuído à valorização das matérias-primas, que elevaram os preços do produto no mercado internacional. A ABICS alerta, no entanto, que a indústria enfrenta o desafio de redirecionar suas vendas para novos mercados, dado o impacto das tarifas e a limitação de acordos comerciais.
Com a União Europeia se apresentando como uma alternativa a médio e longo prazo, a expectativa é de que os acordos comerciais possam aliviar a pressão tarifária no futuro. Enquanto isso, o mercado interno tem servido como um amortecedor, com um aumento no consumo de café solúvel de 9,5% em 2025. Contudo, a indústria se preocupa com as implicações de uma reforma tributária prevista para 2026, que pode afetar sua competitividade no cenário internacional.

