A prisão de Nicolás Maduro e a recente intervenção dos Estados Unidos na Venezuela colocaram Donald Trump em uma posição central nas discussões políticas da América Latina. O cientista político Paulo Niccoli Ramirez destacou, em entrevista ao programa ‘Os Três Poderes’, a apreensão dos governos de esquerda, especialmente o brasileiro, diante da possibilidade de Trump usar informações do regime chavista para atacar o PT e o presidente Lula da Silva.
Ramirez ressaltou que, embora uma interferência direta de Trump no processo eleitoral brasileiro seja improvável, existe um risco maior de atuação indireta, especialmente por meio das grandes plataformas digitais. Ele apontou que a relação entre o governo americano e empresas de tecnologia, como Meta e Google, pode facilitar a disseminação de desinformação, afetando o ambiente eleitoral no Brasil. O professor também observou que os Estados Unidos, percebendo Lula como favorito à reeleição, adotaram uma postura mais pragmática, revertendo a tensão diplomática anterior.
O cientista político advertiu que o cenário para as eleições de 2026 pode reproduzir desafios semelhantes aos de 2022, como desinformação e ataques às instituições. O impacto da influência externa, embora não decisivo, pode contribuir para a polarização e a deslegitimação do processo eleitoral. Assim, o Brasil entra em um novo ciclo eleitoral ciente de que a geopolítica e a atuação das redes sociais serão fatores cruciais a serem enfrentados.

