Moradores do Grajaú, no extremo sul de São Paulo, enfrentam diariamente a escassez de água devido à redução da pressão na tubulação promovida pela Sabesp. A situação se complicou ainda mais com os baixos níveis dos reservatórios, que exigem racionamento e têm levado muitos a encher garrafas diariamente para garantir o abastecimento. Essa crise hídrica afeta desproporcionalmente as áreas periféricas, onde o fornecimento é mais vulnerável e cortado com frequência.
O cenário se torna ainda mais alarmante quando outros serviços falham, como ocorreu recentemente durante um apagão que deixou moradores sem água por dias. Especialistas apontam que a redução da pressão no fornecimento resulta em um desabastecimento seletivo, favorecendo áreas mais ricas e verticalizadas da cidade. A proposta de implementar tarifas de contingência, que poderiam incentivar a redução do consumo, é vista como uma alternativa viável, mas enfrenta resistência devido à privatização da Sabesp e a pressão por lucros.
A Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp) justifica a medida como necessária diante da seca, enquanto a Sabesp planeja investimentos significativos para melhorar o sistema hídrico. Contudo, a população continua a viver em incerteza, racionando água e lidando com a falta desse recurso essencial. Para muitos, como Ana Maria, a convivência diária com a possibilidade de desabastecimento se torna uma dura realidade em um contexto de mudanças climáticas e gestão hídrica inadequada.

