Falta de transparência sobre armamentos evidencia descaso dos estados

Patricia Nascimento
Tempo: 2 min.

A pesquisa realizada pelo Instituto Sou da Paz, em parceria com o Instituto Igarapé, revela que o controle de armamentos não é uma prioridade nas políticas de segurança dos estados brasileiros. Entre 2021 e 2023, as polícias militares, civis e os departamentos de Polícia Técnico-Científica deixaram de responder 73% dos pedidos de informações feitos via Lei de Acesso à Informação. A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, destaca que as armas de fogo não estão entre as prioridades das forças policiais estaduais.

O levantamento mostra que apenas seis estados possuem delegacias especializadas no combate ao tráfico de armas. Além disso, nenhum estado apresentou alto nível de transparência em relação às informações sobre armas de fogo em 2023. Os dados indicam que a falta de resposta das polícias civis e militares, que deixaram de responder a 78% e 70% das perguntas, respectivamente, reflete o descaso com a gestão de informações cruciais para a segurança pública.

A ausência de dados sobre armamentos é alarmante, especialmente em um país onde a violência armada é responsável por uma alta taxa de homicídios. A produção de informações sobre armas apreendidas é fundamental para a avaliação do cumprimento de leis, como a Lei 13.880/2019, que visa proteger mulheres em situação de violência doméstica. Especialistas sugerem a padronização dos mecanismos de coleta de dados e um controle mais rigoroso das armas disponíveis às forças de segurança para mitigar os desvios que alimentam o crime organizado.

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