Em dezembro de 2024, um dos maiores escritórios de advocacia do mundo anunciou o corte de 50 posições em Londres, representando cerca de 10% de sua equipe de back-office. A decisão foi justificada pelo aumento do uso de inteligência artificial, refletindo uma tendência que se intensificará nos próximos anos, com 63% dos grandes escritórios esperando mudanças em seus modelos operacionais até 2035.
A diferença entre a adoção da IA como ferramenta e como força institucional é crucial. Enquanto alguns escritórios veem a tecnologia como uma oportunidade de inovação, outros enfrentam a substituição de funções, afetando a formação de novos profissionais e a estrutura do mercado jurídico. Essa transição não é apenas uma questão de produtividade, mas também de estabilidade e confiança no sistema de justiça, uma vez que a IA pode alterar radicalmente o modelo econômico da advocacia.
As implicações dessa mudança são profundas, especialmente quanto à formação de novos advogados e à qualidade do serviço prestado. A automatização pode reduzir as oportunidades de aprendizado prático, impactando a qualidade da assessoria jurídica e, consequentemente, a confiança nas instituições legais. O futuro da advocacia dependerá de como as instituições e os profissionais escolherão integrar a IA em suas práticas, definindo o papel do Direito na sociedade e na economia.

