47% das empreendedoras brasileiras têm renda comprometida, aponta estudo

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um estudo da Serasa Experian revelou que quase metade das empreendedoras jovens e emergentes do Brasil, que somam mais de 2,6 milhões, têm entre 81% e 100% da renda comprometida. O levantamento foi divulgado em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

De acordo com a pesquisa, 47,3% dessas mulheres operam com a renda praticamente toda comprometida, e mais da metade possui uma capacidade financeira mensal de até R$ 1 mil. Giovana Giroto, CMO e vice-presidente de Marketing Solutions da Serasa Experian, afirmou:

““Isso indica uma margem financeira mais restrita para lidar com imprevistos ou oscilações de receita.””

Giroto também destacou a importância da gestão de fluxo de caixa e do acesso a crédito adequado, afirmando que

““se tornam ainda mais importantes para garantir continuidade e estabilidade do negócio no longo prazo.””

Apesar do alto nível de comprometimento financeiro, as empreendedoras mantêm uma forte relação com crédito e consumo digital. A pesquisa apontou que cerca de 45,1% utilizam o cartão de crédito como principal meio de pagamento, 32,6% têm afinidade com bancos digitais e 84% realizam compras online.

Além disso, quase 64% demonstram interesse em perfis de renda flexível, como motoristas por aplicativo, indicando uma busca por complementação financeira e modelos de trabalho mais adaptáveis. A renda das empreendedoras é concentrada nas faixas mais baixas, com 38,4% ganhando até R$ 2 mil por mês e pouco mais de 11% recebendo acima de R$ 10 mil.

Mais da metade das empreendedoras têm capacidade financeira mensal de até R$ 1 mil, o que ajuda a explicar o elevado nível de endividamento observado no levantamento. A pesquisa também revelou que 34,3% das empreendedoras têm entre 49 e 65 anos, enquanto 27,2% estão na faixa de 39 a 48 anos e 23,5% têm entre 29 e 38 anos. Apenas 14,8% têm entre 18 e 28 anos.

Giroto comentou que

““esse dado sugere que, para muitas brasileiras, empreender não é necessariamente a primeira escolha profissional, mas um movimento que acontece ao longo da trajetória de carreira.””

Ela acrescentou que mulheres mais maduras tendem a acumular experiência técnica e uma visão mais clara sobre riscos e oportunidades.

Em uma pesquisa anterior, 46% das mulheres apontaram a flexibilidade de tempo como a principal motivação para empreender, além da busca por independência financeira. Giroto explicou:

““Isso indica que muitas estão buscando um modelo de trabalho que permita conciliar melhor renda, autonomia e demandas pessoais.””

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