7 em cada 10 mulheres relatam assédio em São Paulo, revela pesquisa

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec revelou que 7 em cada 10 mulheres que vivem em São Paulo já sofreram algum tipo de assédio. O levantamento ouviu 3.500 mulheres em todo o país, sendo 700 na capital paulista.

Os episódios de assédio ocorrem em diversos ambientes do cotidiano, como ruas, transporte público, trabalho, bares e restaurantes, dentro de casa e até em transportes por aplicativo. A promotora Gabriela de Oliveira Aparício comentou:

““Posso falar assim pela maioria das mulheres que elas se sentem inseguras, né? Porque hoje em dia a gente tá vulnerável, não tem uma proteção assim específica para mulher.””

O estudo também revelou que, ao analisar apenas os dados da capital paulista, 54% das entrevistadas afirmaram já ter sido assediadas na rua. A situação é preocupante, especialmente no transporte público, onde mais da metade das mulheres relatou episódios de assédio em ônibus, metrô ou trem.

A auxiliar financeira Fabiana Dias Alves descreveu as dificuldades enfrentadas em veículos lotados:

““Difícil, difícil, é mãos que a gente nem sabe de onde está vindo, empurra-empurra, encoxa-encoxa, é muito difícil.””

A cozinheira Leidiane de Brito também comentou sobre a frequência das ocorrências:

““É difícil, é complicado. Bem constrangedor. Desse tipo, todo dia, normal. Para a gente é normal.””

Algumas passageiras tentam ajudar as vítimas quando presenciam situações de assédio. A cozinheira Evaneide da Cruz afirmou:

““Eu aviso pra ela, não penso duas vezes, que eu já vi e eu acho muito feio.””

Um episódio recente ilustra a gravidade da situação. Dentro de um trem da CPTM da Linha 11–Coral, uma mulher gravou o momento em que era assediada por um homem. As imagens serviram como prova e o suspeito foi preso por importunação sexual. Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), o homem foi liberado após audiência de custódia e vai responder ao processo em liberdade, mediante cumprimento de medidas cautelares.

A coordenadora de mobilização do Instituto Cidades Sustentáveis, Zuleica Goulart, destacou que os dados mostram que as mulheres ainda não se sentem seguras em espaços públicos:

““As mulheres cada vez mais pegando na mão umas das outras. Eu acho que isso é importante para a luta do enfrentamento à violência.””

A atendente Esther Caetano também defendeu a intervenção de quem presencia uma situação de assédio:

““Acho que tem que ir para cima, meter a colher ali, chamar outras pessoas também. Realmente tá bem complicado.””

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