Um avião de transporte militar caiu na segunda-feira, 24 de março de 2026, em Puerto Leguizamo, Colômbia, com 128 pessoas a bordo, a maioria soldados. O acidente resultou na morte de ao menos 66 pessoas e deixou dezenas de feridos, conforme informou o comandante das Forças Armadas da Colômbia, General Hugo Alejandro López Barreto.
Barreto afirmou que quatro militares ainda estão desaparecidos. Ele lamentou: “Infelizmente, como consequência deste trágico acidente, 66 de nossos elementos militares morreram”. O general também destacou que, até o momento, não há informações ou indícios de que o acidente tenha sido causado por um ataque de grupos armados ilegais.
O vice-prefeito Carlos Claros, em um vídeo postado nas redes sociais, informou que os corpos das vítimas foram levados para o necrotério da pequena cidade e que as únicas duas clínicas locais atenderam os feridos antes de serem transferidos para cidades maiores. Puerto Leguizamo está localizado em Putumayo, uma província amazônica que faz fronteira com o Equador e o Peru. “Quero agradecer ao povo de Puerto Leguizamo que saiu para ajudar as vítimas deste acidente”, disse Claros à emissora colombiana RCN.
O Ministro da Defesa, Pedro Sánchez, declarou no X que o avião que caiu estava transportando tropas para outra cidade em Putumayo. Imagens compartilhadas por meios de comunicação colombianos mostraram uma nuvem negra de fumaça subindo de um campo onde o avião caiu, além de um caminhão com soldados se dirigindo ao local.
O avião tinha 128 pessoas a bordo, sendo 115 do Exército, 11 membros da tripulação e 2 da Polícia Nacional. Barreto informou que 57 pessoas foram evacuadas. Vídeos mostraram soldados sendo levados do local em motocicletas conduzidas por moradores locais, enquanto outro grupo tentava apagar o incêndio causado pela queda do avião em um campo cercado por densa vegetação.
Carlos Fernando Silva, comandante da força aérea da Colômbia, afirmou que os detalhes do acidente ainda não eram conhecidos, “exceto que o avião teve um problema e caiu a cerca de dois quilômetros do aeroporto”. O comandante da força aérea acrescentou que dois aviões, com 74 leitos, foram enviados à área para transportar os feridos de volta a hospitais na capital, Bogotá, e em outros lugares.
O presidente Gustavo Petro aproveitou o acidente para promover sua campanha de modernização dos aviões e outros equipamentos utilizados pelas forças armadas do país, afirmando que esses esforços têm sido bloqueados por “dificuldades burocráticas” e sugerindo que alguns oficiais deveriam ser responsabilizados. “Se os oficiais administrativos civis ou militares não estão à altura do desafio, devem ser removidos”, disse Petro.
Criticos do presidente apontaram que as aeronaves militares receberam menos horas de voo sob a administração de Petro devido a cortes orçamentários, o que resulta em equipes menos experientes. Erich Saumeth, especialista em aviação colombiana e analista militar, informou que o Hercules C-130 que caiu na segunda-feira foi doado pelos Estados Unidos à Colômbia em 2020. Três anos depois, passou por uma revisão detalhada, conhecida como overhaul, na qual seus motores foram inspecionados e componentes-chave foram substituídos. “Não acho que este avião tenha caído por falta de boas peças”, disse Saumeth, acrescentando que as investigações precisarão determinar por que os motores do Hercules, que possui quatro hélices, falharam tão rapidamente após a decolagem.
Em uma mensagem no X na segunda-feira, o Ministro da Defesa, Sánchez, afirmou que até o momento não havia sinais indicando que o avião foi atacado por grupos rebeldes que operam nas proximidades de Puerto Leguizamo. Sánchez escreveu que o acidente foi “profundamente doloroso para o país”, acrescentando: “Esperamos que nossas orações possam ajudar a aliviar um pouco da dor”.

