A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (17) a advogada cearense Cecília Rodrigues Mota durante a Operação Indébito, um desdobramento da Operação Sem Desconto. A operação investiga um esquema nacional de desvios não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) também é alvo da operação e passou a ser monitorada com tornozeleira eletrônica.
Além de Cecília, o empresário Natjo de Lima Pinheiro foi preso em Fortaleza. A defesa de Natjo, representada pelo advogado Bruno Queiroz, afirmou que a prisão preventiva foi uma “medida desnecessária e desproporcional” e que tomará as medidas jurídicas para revogá-la.
Cecília Rodrigues Mota já era investigada por suspeita de fraude ao INSS e depôs em 2025 sobre o caso. As associações que presidia ofereciam propina a servidores do INSS para obter dados de beneficiários e criavam associações de fachada, muitas vezes presididas por idosos ou pessoas de baixa renda.
As associações funcionaram simultaneamente em Fortaleza por mais de quatro anos. A sede da Associação de Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) foi fechada em abril de 2025, três dias após a deflagração da Operação Sem Desconto. A Aapen ocupava toda a cobertura de um edifício no bairro Aldeota.
A ligação entre Gorete e Cecília está relacionada à Aapen, onde a deputada teria participado ativamente das fraudes e recebido recursos dos desvios. A PF revelou que Gorete utilizava sua influência política para facilitar acordos com o INSS e pressionava servidores para acelerar processos.
O nome da deputada aparece em uma tabela de pagamento de propina, com a quantia de R$ 780.433,50 associada a ela. A PF descreveu Gorete como uma “integrante relevante do grupo criminoso”, com atuação na articulação política e operacional das associações fraudulentas.
O relatório da PF indica que Natjo foi beneficiário de aproximadamente R$ 400 mil em operações advindas das empresas de Cecília. Após a operação, os investigados não devem manter contato entre si, conforme decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.
A Operação Indébito visa aprofundar as investigações sobre crimes de inserção de dados falsos, organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação patrimonial.

