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Justiça

Advogado apresenta áudio de PM morta e revela planos de mudança

Amanda Rocha
Última atualização: 16 de março de 2026 18:04
Amanda Rocha
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Tempo: 5 min.
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O advogado da família da soldada da Polícia Militar Gisele Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça em fevereiro, apresentou nesta segunda-feira (16) um áudio que, segundo ele, mostra que a policial planejava sair do apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, ainda em 2025.

De acordo com o advogado Miguel Silva, a gravação foi enviada por Gisele ao pai e mostra que ela pedia ajuda para encontrar uma nova casa, preferencialmente perto da residência dos pais. Durante entrevista coletiva, o advogado afirmou que a mensagem reforça a versão da família de que a policial pretendia se afastar do marido.

““Recebi um áudio onde Gisele, no ano passado, pede para o pai arrumar uma casa para ela. O desespero era tanto”,”

afirmou Silva.

No áudio apresentado, Gisele fala sobre a busca por uma casa próxima da residência dos pais para facilitar a rotina de trabalho e os cuidados com a filha.

““Não, pai, pra mim é melhor aí, rua, entendeu? Quanto mais perto daí, melhor. De manhã eu vou sair muito cedo pra ir trabalhar e aí eu vou ter que deixar a [nome da criança] dormindo aí, entendeu?””

diz a policial na gravação. Em outro trecho, ela explica que morar mais perto ajudaria a evitar deslocamentos longos antes do trabalho.

““Então, quanto mais perto, melhor. Porque eu já deixo ela aí e já pego o trem pra ir trabalhar, entendeu? Pra não ficar tendo essa viagem aí de manhã. Eu perco muito tempo. Eu entro cedo aqui no serviço”,”

afirma no áudio.

O advogado também mencionou que o tenente-coronel Neto tem um histórico de ameaças e perseguições contra mulheres. Segundo Miguel Silva, há registros policiais e decisões judiciais que apontam episódios de ameaças contra ex-companheiras e denúncias de assédio e perseguição contra policiais militares mulheres subordinadas ao oficial dentro da corporação.

““Quando eu disse que o tenente-coronel é um violador, um assediador, já há muito tempo, eu fiz uma crítica ao comando da Polícia Militar e ao secretário da Segurança”,”

disse Silva.

De acordo com Miguel Silva, uma ex-companheira do tenente-coronel registrou boletins de ocorrência contra ele entre 2009 e 2010. Em um dos registros, a mulher relatou que sofria perseguições e perturbações constantes.

““Tem um boletim de ocorrência de 2010 em que uma vítima, sua ex-mulher, diz que vem sofrendo vários problemas de perturbação de sua tranquilidade. A ex-mulher se socorre de medida protetiva e diz o seguinte: ‘o autor mantém vigilância sobre a vítima, impedindo que ela se relacione com outras pessoas, ameaçando inclusive de morte’”,”

afirmou o advogado.

O caso da soldada Gisele, que ocorreu em 18 de fevereiro, foi inicialmente registrado como suicídio, mas a defesa da família contesta essa versão. O advogado José Miguel da Silva Júnior afirmou:

““Eu não tenho dúvidas que ele [coronel Geraldo] matou ela [Gisele]. Mas cabe a polícia provar””

. A Polícia Civil reclassificou o caso como morte suspeita e aguarda laudos complementares para concluir a investigação.

O coronel Geraldo Leite Rosa Neto se afastou do trabalho após a morte de Gisele e participou da reconstituição do caso no dia 23 de fevereiro. A defesa do coronel sustenta que a soldada se suicidou e aguarda a conclusão das investigações.

““A defesa do tenente-coronel aguarda serenamente o desenrolar da apuração da Polícia Civil com a juntada de todos os laudos e externa a confiança na palavra do coronel: de que trata-se de suicídio”,”

disse o advogado Eugênio Malavasi.

A investigação não descarta formalmente o suicídio, mas também apura a possibilidade de feminicídio. Laudos periciais indicaram marcas de unhas e arranhões no pescoço da policial, além de lesões contundentes no rosto e sinais de disparo à queima-roupa. A família e a defesa acreditam que já há elementos suficientes para solicitar a prisão preventiva do coronel.

TAGGED:Eugênio MalavasiFeminicídioGeraldo Leite Rosa NetoGisele SantanaJosé Miguel da Silva JuniorJustiçaMiguel SilvaPolícia MilitarSão PauloSPviolência doméstica
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