O advogado José Miguel da Silva Júnior, que representa a família da policial militar Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça no mês passado em São Paulo, comemorou a prisão do tenente-coronel Geraldo Neto, apontado como suposto autor do feminicídio.
Silva Júnior defendeu a tese de feminicídio em nome da família, que inicialmente acreditava que Gisele havia cometido suicídio. “Desde o início a família não acreditou que Gisele poderia ter cometido suicídio. Esperamos que ele seja processado pelo Ministério Público [MP], vá a júri e seja condenado”, declarou.
A Justiça Militar decretou a prisão preventiva do tenente-coronel Geraldo Neto na terça-feira (17). Ele foi detido pela Corregedoria da Polícia Militar em São José dos Campos, interior de São Paulo, por volta das 8h17 desta quarta-feira (18).
A defesa do oficial, representada pelo advogado Eugênio Malavasi, contestou a prisão, afirmando que a Justiça Militar não tem competência para julgar o caso. “A Justiça Militar é incompetente para analisar, processar e julgar o caso e, especialmente, para decretar medidas cautelares”, disse Malavasi.
Antes de ser preso, o coronel alegava que a esposa havia se suicidado após uma discussão. No entanto, essa versão foi contestada pela Polícia Civil, que passou a investigar a morte como suspeita. Laudos periciais indicaram que Geraldo matou a soldado.
A Corregedoria da PM solicitou a prisão do coronel com base na investigação da Polícia Civil, que indiciou Geraldo pelos crimes de feminicídio e fraude processual. A Justiça comum ainda não havia se manifestado sobre o pedido de prisão feito pela delegacia que investiga o caso.
O Tribunal de Justiça Militar informou que a prisão preventiva foi decretada para garantir a ordem pública e a conveniência da instrução criminal. O juiz militar destacou o risco de interferência nas investigações e a gravidade dos fatos apurados.
A Secretaria da Segurança Pública informou que o coronel será levado ao 8º Distrito Policial, onde será interrogado e passará por exames de corpo de delito. Após isso, ele será encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes.
Laudos da Polícia Técnico-Científica foram determinantes para a decisão de prender Geraldo. Indícios apontaram que Gisele foi morta por ciúmes e possessividade. Os laudos revelaram que a trajetória da bala e a profundidade dos ferimentos indicam que a soldado não se suicidou.

