Em 1880, o polímata britânico Sir Francis Galton enviou questionários a cientistas, pedindo que fechassem os olhos e tentassem visualizar a mesa onde haviam tomado café da manhã. Muitos afirmaram que não conseguiam ver nada, o que levou Galton a provar estatisticamente a existência dessa condição, mas a ciência ignorou a descoberta por mais de um século.
O fenômeno voltou a ser estudado em 2010, quando o neurologista Adam Zeman atendeu um paciente conhecido como “Paciente MX”, que perdeu a capacidade de mentalizar imagens após uma cirurgia cardíaca. Após a publicação de um artigo sobre o caso, Zeman recebeu e-mails de pessoas que se identificaram com a condição, levando-o a criar o termo “afantasia” em 2015.
A afantasia é caracterizada pela incapacidade de visualizar imagens mentais, mesmo que representações existam no cérebro. Estudos recentes, incluindo pesquisas de Joel Pearson da University of New South Wales, mostraram que, em pessoas com afantasia, as representações no córtex visual primário são diferentes das de pessoas que conseguem imaginar normalmente.
Em 2024, a neurocientista Giulia Cabbai da University College London descobriu que, embora as representações visuais inconscientes existam no córtex visual de pessoas com afantasia, elas não se tornam conscientes quando solicitadas a imaginar ativamente.
Em 2025, o neurocientista Jianghao Liu, do Paris Brain Institute, utilizou ressonância magnética funcional para comparar pessoas com e sem afantasia. Os resultados mostraram conectividade reduzida entre áreas visuais e regiões frontais, destacando o fusiform imagery node como uma área crucial para a imaginação visual.
Estudos indicam que 3% a 4% da população mundial não consegue formar imagens mentais, tornando a afantasia uma ferramenta importante para entender a consciência humana. O fusiform imagery node pode ser fundamental para separar o consciente do inconsciente, sugerindo que ele participa ativamente do processo de tornar uma representação consciente.


