A África está se aproximando de sua separação, um processo geológico que ocorre lentamente na região de Afar, no norte da Etiópia. Essa área é o centro de um sistema de fendas em forma de Y, onde o continente está se dividindo para formar um novo oceano.
Emma Watts, integrante de uma equipe de pesquisa, destacou que a separação das placas tectônicas é um processo muito lento. ‘As pessoas veem isso e pensam: “Ah, não, está se desfazendo!” Não, é muito, muito lento…’, afirmou.
A região de Afar, uma das mais secas e quentes do planeta, abriga o vulcão Erta Ale, que contém um lago de lava. Essa área é importante para os cientistas, pois está situada na junção de três placas tectônicas que estão se afastando gradualmente, um fenômeno conhecido como rifteamento continental.
Watts explicou que, à medida que as placas se separam, o manto abaixo delas sobe, podendo eventualmente formar uma nova bacia oceânica. ‘Afar é um lugar lindo porque (o novo fundo do oceano) ainda não está totalmente submerso’, disse.
A pesquisa publicada em junho do ano passado revelou uma pluma assimétrica emergindo das profundezas de Afar, que pulsa em um padrão semelhante a uma ‘batida cardíaca’. Segundo Watts, esse padrão varia em cada uma das três fendas, evidenciando que a pluma é dinâmica e não estática.
A taxa de ruptura das fendas é extremamente lenta. As fendas do Mar Vermelho e do Golfo de Aden movem-se a aproximadamente 15 milímetros por ano, enquanto a Fenda Principal da Etiópia move-se a cerca de 5 milímetros por ano. Nesse ritmo, levará milhões de anos para que um novo oceano se forme.
Além disso, a separação das placas tectônicas está expondo camadas mais antigas de sedimentos, permitindo novas descobertas científicas. A região de Afar é um terreno fértil para estudos, com fósseis preservados que lançam luz sobre a evolução humana.
““A nova descoberta sugere agora o contrário, e a suposta ausência era resultado de um registro fóssil incompleto”, disse o paleontólogo Dr. Fred Spoor.”

