O Ministério Público (MP) denunciou um pai e sua madrasta por tortura contra três crianças em Campinas, São Paulo. A mulher, que estava foragida, foi presa nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, em Mogi Mirim.
As agressões ocorreram entre outubro de 2015 e julho de 2021, enquanto as crianças estavam sob a guarda do pai, devido à saúde debilitada da mãe após um acidente de trânsito. Na época, os irmãos tinham 8, 10 e 13 anos.
Os relatos das crianças revelam uma rotina de violência, com agressões utilizando cinto, raquete de choque, chinelo, frigideira e colher de pau, além de episódios de enforcamento. O pai já agredia os filhos antes da chegada da madrasta, que passou a participar das agressões.
Os irmãos relataram que apenas o pai e a madrasta tinham acesso a carne nas refeições, enquanto eles recebiam apenas arroz, feijão e ovo. Um dos episódios descritos envolveu o pai batendo a cabeça de um dos filhos no chão e levantando outro pelo pescoço contra a parede.
““Se eu bater mais, ele desmonta”, disseram as crianças em gravações de agressões durante um jogo online.”
O irmão mais velho mencionou que o caçula, diagnosticado com autismo grau 3, era submetido a “tortura”. Ele tentava proteger os irmãos, mas acabava apanhando ainda mais. As agressões eram frequentes, especialmente quando o pai chegava estressado do trabalho ou após a derrota de seu time de futebol.
As crianças também contaram que pegavam comida escondido para o irmão mais novo, que ficava feliz ao receber o alimento, mas, ao serem descobertos, eram novamente agredidos.
Em 2021, a mãe biológica recuperou a guarda unilateral das crianças. No processo, os meninos relataram que gostavam da vida com a mãe, saindo para restaurantes e parquinhos.
O pai foi condenado em 2024 a 7 anos, 5 meses e 18 dias de prisão em regime fechado, estando preso desde fevereiro. A madrasta recebeu pena de 6 anos de prisão em regime fechado. A defesa da mulher informou que ela se entregou espontaneamente na Delegacia de Mogi Mirim para garantir sua integridade física.


